Luta interior
Recebi este email da minha melhor amiga e fiquei destroçada:
Querida;
Não sei o que fazer da minha vida. Sinto-me manietada e só penso numa solução drástica para resolver tudo de uma só vez.
Não tenho a tua força, a tua coragem e não sou capaz de lidar com a situação em que me encontro. A idade por vezes tem destas coisas e quase sinto vergonha da vontade que tenho de viver aventuras como se fosse uma adolescente.
Amo um homem extraordinário, que me proporciona uma vida de qualidade, tranquila mas não monótona e rotineira. Há sempre uma surpresa, um gesto de carinho, uma surpresa preparada. Diria mesmo que existe uma espécie de ligação astral que nos une. Penso muito nele e de como é doce a sua forma de me tratar. Contudo, reencontrei um homem que não via há vinte anos e com quem cheguei mesmo a trabalhar. Frente a frente pensei: está mais charmoso, mais calmo e também é cavalheiro. Disse-me que está com 57 anos e eu nem associo ao homem que conheci. Entre nós houve uma empatia e acabámos por conviver até chegar o momento em que não adiámos mais a vontade de unir os nossos corpos. Soube-me bem e é para manter um contacto esporádico, livre de sentimentos fortes, é o meu amigo colorido.
Entretanto e desde há uns tempos para cá, ando a flirtar com um homem, imagina só, mais novo do que eu. Inédito em mim, mas muito, muito estimulante. Por vezes penso que não vai nunca acontecer nada de nada. Outras vezes sinto uma aproximação e neste enredo de possibilidades, a verdade é que me apetece experimentar de tudo.

