GATA YNDA

Libertei-me de preconceitos e deitei as unhas de fora. Ganhei coragem para partilhar a minha intimidade. Até agora confissões feitas em silêncio num diário em cujas linhas eu me revelava uma mulher por inteiro. Casada, mãe, empresária, amante e ávida de aventuras. Face aos apelos do meu corpo a instintos carnais frequentes senti-me muitas vezes só. Este blog destina-se a todas nós Gatas(os) em Telhado de Zinco Quente... que querem “ronronar”.P.S. Sou muito sexy a dar marradinhas.

quarta-feira, setembro 27, 2006

À procura da Felina

Hoje estou cansada e demasiado stressada para escrever o que quer que seja.
Tentei em vão contactar a Felina no seu ponto G. Também ela já tem tido momentos de menor inspiração para relatar as suas aventuras. Admiro o seu blog e gostava que ela visse o meu. Se alguém a contactar por favor, passem a mensagem. Afinal somos parentes selvagens que partilham as suas aventuras na selva que é esta nossa vida.

A um anónimo que não quer aventurar-se

É tão fácil camuflado(a) sob um anónimo(a) criticar e chamar nomes aos outros. Primeiro que tudo, não sou nada frustrada. Ao contrário, dou livre curso às minhas vontades, sejam elas quais forem desde que consiga pô-las em prática.
O facto que mais o (a)pode admirar já que me acusa é que é com o meu marido que mais gozo na cama. Mas isso não impede que explore uma aventura sexual com um conhecido/desconhecido a esse nível. Se para si isto se chama "a mais velha profissão do mundo", não entendo. Não pago nem recebo para umas horas de prazer. Gosto de dar e receber e fico excitada perante a possibilidade de um encontro com um homem cujo cheiro e sabor quero sentir. Ele tem de me explorar e eu tenho de o descobrir.

Quanto ao único elogio que me faz, a imaginação/criatividade, só posso dizer-lhe que nem imagina do que sou capaz. Mas felizmente que pertenço ao grupo de pessoas que quer tirar partido da vida e que não vim a este mundo só "para ver passar os comboios".

Ao contrário, gosto de ser uma espécie de estação e receber as máquinas possantes que chegam lentamente, e depois aceleram a toda a voltagem. Mas claro que para si isto não lhe diz nada... Só vê a preto branco, não é? E o seu prato favorito é arroz com feijão, até aposto. Eu cá gosto de legumes:cenouras, curgetes e pepinos, nabos e tomates e nada como um bom rolo de carne para ficar de papo cheio.

Entretanto e só para que saiba vou agora enroscar-me num corpo real enquanto penso num imaginário e assim garanto um orgasmo com O grande. Se conseguir, venha-se também.

domingo, setembro 24, 2006

Tesão difícil de aguentar

Estou irrequieta, estou impaciente, estou ardente. No mais interior do meu corpo um desejo está a atormerntar-me e para já, a única forma que tenho de o acalmar é, obviamente com o meu marido.

Apesar disso e de bem saciada por ele, que é excelente amante e voraz no que diz respeito a sexo, algo me está a deixar esfomeada.
Tentem perceber como é que a hipótese de uma aventura sexual me está a deixar excitada. Se estivessemos em Janeiro, atreverme-ia a dizer que estou com o cio. Típico de gata, não? Levo o meu dia-a-dia como sempre mas a minha vagina está constantemenete a latetejar e a enviar-me mensagens como, tens de me acalmar, estou com necessidade de um "pau" investigador.

Se alguma de vocês já se sentiu assim, contem-me a vossa história e comentem o prazer que vos deu estar a ser comida pelo vosso companheiro habitual e estarem a pensar num comilão que vos oferece uma "mamada" com sabor a baunilha! Eu até gemo de prazer...

quinta-feira, setembro 21, 2006

Surpresa versus surpresa

Agora não se fala de mais nada senão do excesso de cenas de sexo na TV. O meu lado moralista/maternal concorda em pleno, mas a minha personalidade feminina até não está desagradada. Pior do que as cenas de sexo, na minha opinião é o facto de tudo se passar entre um grupo de amigos que até é bem restricto.

A gata que há em mim tem andado muito calma. O caso da Sofia não me sai da cabeça. O pior de um casamento pode vir ao de cima por uma questão de sexo. Pergunto-me como reagiu o Franciso à surpresa da minha amiga.

E já me irritam os falsos moralismos... sempre que se fala em sexo alguém ataca o termo, o comportamento, o atrevimento, a traição e sei lá mais o quê! Bolas, a verdade é que anda meio mundo a "comer" outro meio mundo. E não é maravilhoso o fascínio que a "gastronomia" pode exercer nas pessoas? Uma cliente minha, open mind, mas com uma postura maritalmente semi correcta porque gosta do marido,dos filhos e da vida que constuíram juntos há sete anos que não tem sexo senão com o legítimo e eis que...

Desata a contar-me que um homem, bem parecido, culto mas com quem já teve algumas turras, surpreendeu-a sem aviso prévio com uma conversa muito directa sobre cama.Sortuda! Só vos digo que o que ela me ia contando estava a deixar-me com uma ponta de inveja. Terríveis as mulheres? Não, absolutamente normais,eu nesta fase da vida estou consciente do que posso mas se calhar até nem devia fazer. E afirmo a minha capacidade de dissociar as coisas. Até lhe disse "minha querida:trabalho é trabalho e conhaque é conhaque, se sente a fragilidade entre pernas a clamar por uma visita aventureira, olhe deixe-ir."

Fiquei a pensar no assunto. Afinal é só sexo, não é? E que bom que é o sexo sem a responsabilidade do amor. Sexo por sexo, sobretudo quando se sabe com quem se vai, ou melhor se vem. Fico doida só de imaginar o envolvimento de dois corpos nús, o cheiro da pele que se lambe,que se beija, a boca ávida que ora se abre para suavemente passar a língua sobre os lábios do parceiro ora se entrelaça na língua dele.O brincar à gata e ao rato até que o rato está em pé, firme, sensualmente rosado e latejante até que se fundem num só. Não aguento. Palavra! Estou muito excitada, demasiado excitada. Desculpem mas estou mesmo a masturbar-me. É a terceira vez hoje, tudo à conta da surpresa que a outra teve com o tal sujeito.
Só faço votos que o bom senso de ambos permita que se "fodam" em bom potuguês, mas só na cama. Já sei o que estão a pensar:será que um homem é capaz de separar águas, manter um segredo e perante todos nada deixar transparecer? Eu consigo,já o fiz algumas vezes mas apesar de gata assanhada, nunca caio dos saltos altos.Eu sou eu e às vezes solto a gata. O meu marido está a chegar, vou mas saltar para cima dele enquanto imagino o que faria com o homem mistério da minha cliente.Se conseguirem sonhem também.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Um leito que é um deleite

Estava a tomar um sumo numa esplanada e o meu telemóvel tocou. Era a minha amiga Sofia que precisava de desabafar comigo sobre o casamento dela. Digo-vos que depois de lhe dizer olá, já não tive tempo para falar mais nada porque ela não se calou e textualmente conto-vos o que ouvi:"Estou a atravessar uma fase difícil a nível de sexo e o meu desejo pelo Francisco diminui, ou melhor desapareceu! Ontem ele acusou-me de já não o amar e fiquei de rastos. Estou cansada e nem sempre me apetece fazer amor. Percebes-me?"
Quando articulei que isso é normal, às vezes os casais... ela interrompeu-me e "Ynda, tens de vir comigo agora a minha casa. Sei que não me vais dizer que não. Quero mostrar-te uma coisa e só acredito na tua opinião." Ela acertou, acho que não se recusa ajuda a uma amiga e confesso que também fiquei curiosa. Paguei o sumo que nem bebi e conduzi até casa dela. Quando ela me abriu a porta vi marcas de choro da noite anterior... Oh, minha amiga, pensei.

Afinal ela queria que eu visse o que preparou esta manhã (em que faltou ao trabalho). Levou-me ao quarto e pasmem com a minha amiga como eu que fiquei de boca aberta.
E eu a julgar que a Sofia era muito contida no que toca a sexo. Na semiobscuridade em que entrei quando comecei a visualizar só me apeteceu ter ali o meu gato e senti um brutal desejo de sentir o meu marido dentro de mim.Fiquei imediatamente lubrificada de tanto desejo.
A cama de casal, normalíssima parecia agora saída de um filme. Lençóis de cetim preto e pétalas de rosas carmim espalhadas. Um baú de verga (que comprámos numa feira de artesanato numas férias em Espanha) estava transformado num "altar" de doces pecados como vendas, vibradores que encheriam uma montra, lubrificantes, um escorpião e sei lá mais o quê. Das paredes pendiam finas tiras de seda que esvoaçavam graças a uma ventoinha bem localizada. E do candeeiro do tecto pendiam suportes repletos de velas. Resumindo um cenário tipo mil e uma noites.Olhei para ela e balbuciei ...Sofia e ela despiu o robe e exibiu uma lingerie exótica. Grande Sofia!
Abracei-a e disse-lhe: Vai em frente. Vou buscar o Ricardinho ao colégio e janta e dorme lá em casa. Quanto ao Francisco, querida, arrasa-o até te suplicar que já não aguenta e está mais do que dorido.

Aqui para nós, quem me dera ser mosca e assistir nem que fosse colada ao vidro da janela.

domingo, setembro 17, 2006

Fim-de-semana de Aristogatos

Este foi um fim-de-semana sempre em festa. Há muito que estava combinado com vários amigos passarmos dois dias numa casa que tenho em Braga. Éramos quatro casais e seis crianças. São tão boas estas saídas em grupo em que os míudos se entretêm e nós adultos curtimos a boa disposição que o convívio proporciona. Vejam lá se não passaram já momentos em que parecemos mais crianças que os nossos filhos. Ele foi partidas uns aos outros, tiro ao alvo e à noite jogos de póker e Trivial Pursuit. A mim calha-me-me sempre a parte de cozinhar, apesar dos outros darem uma mãozinha (sobretudo a comer)...

O José e a Lita são mesmo porreiros, sabem daqueles amigos com quem se pode contar? Ele orientou as refeições dos putos e depois os adultos, calmamente apreciámos uma boa tábua de queijos, uma massada de marisco. Claro que deitámos abaixo umas quantas garrafas de um tinto rubi renomado. Acho que já sabem como terminam estas refeições, joga-se conversa fora e soltam-sr gargalhadas.

A meio do serão lembrei-me de jogarmos um jogo diferente composto por dados e cujo tema é o kamasutra. Foi um espectáculo e deixo-vos a imaginar o que quem lançava os dados tinha de fazer:desde simular posições, a imitar orgarmos e gemidos etc...

Deitámo-nos já perto das três da manhã e estava quase a adormecer quando do quarto ao lado parecia que o jogo kamasutra continuava. O Pedro e a Manela tinham passado à prática mas o palavreado estava forte. Ela pedia-lhe que a penetrasse por trás e pela frente. Ele arfava, arfava. Não aguentei mais arrastei o meu marido e juntámo-nos a eles. Não nada do que estão a pensar não foi swing, foi só observarmo-nos uns aos outros. E entre orgasmos a quatro o meu marido só me dizia "temos de repetir estes fins-de-semana".
Temos pois, e se alguém quiser partilhar uma história parecida fico à espera do vosso comentário.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Mau tempo no canal

O dia nasceu mais ou menos ensolarado mas depois foi mudando para cinzento culminando numa refrescante chuvada. Tal como o tempo, também o meu humor passou de bom a mau num piscar de olhos. Há dias complicados e aposto que a maioria das pessoas passa por picos de humor, só que uns controlam melhor a ansiedade quotidiana do que outros. A propósito se conhecem algum truque para aliviar a vontade de partir a louça toda, partilhem comigo que eu já lá não vou só a contar até 10 ou a respirar calmamente. Fico à espera dessa dica.
Mas foi realmente um dia chato em todos os aspectos.

Bom, tudo isto para dizer que depois de chegar a casa e de termos jantado em família, pai, mãe e filho sentámo-nos frente à televisão a ver uma série criminal que acabou cedo. Estas seŕies mais recentes fascinam-me e,em simultâneo horrorizam-me. Quando subi para me deitar resolvi preparar um banho de espuma para relaxar. Afundei-me na água morna e fechei os olhos consolada. Nunca vos aconteceu numa fracção de segundos passar-vos pela cabeça tipo filme em alta velocidade os acontecimentos do dia? Foi o que me aconteceu. Accionei a hidromassagem e o meu marido silenciosamente juntou-se a mim. Também ele estava cansado, abraçou-me e beijámo-nos intensamente enquanto gozámos Só Nós Dois Numa Banheira de Espuma...

domingo, setembro 10, 2006

O meu gato chegou

O meu marido já chegou e estou mais completa. Vem com ar satisfeito graças ao facto de ter fechado com sucesso os negócios a que se propôs antes de partir. Os meus olhos de felina detectam um outro brilho que adivinho ter a ver com algum encontro secreto onde esvaziou toda a sua masculinidade. Mas como sabem eu não fiquei a perder.

Este foi um fim-de-semana normal, já com o nosso filho, em que aproveitámos para ir às compras de casa e de material escolar. Afinal o ano lectivo está mesmo a começar. Já gastaram os mesmos euros que eu? O material escolar está bastante caro, não está? A minha empregada está de folga por isso tive de me chegar à frente e arrumar as compras e cozinhar. Até gosto, acreditem.

A meio da tarde de sábado um amigo do meu filho veio cá para casa jogar playstation e enquanto os miúdos lanchavam o meu marido atraiu-me à garagem. Estava assanhado como eu gosto e vendou-me os olhos com uma écharpe. Quando me pegou ao colo imaginam o que fez? Conduziu-me as mãos até um suporte tipo barra onde costuma pendurar material e deixou-me suspensa... Curiosos? Também eu estava mas logo de seguida ouvi-o a abrir o nosso mini escadote e colocou-mo como apoio dos pés. Agora é só pensarem na cena, começou a lamber-me os pés enquanto ia subindo e me tirava a roupa. Nesta altura já eu estava doida de desejo mas quando tentei tocar-lhe ele exigiu que mantivesse as mãos na barra, subiu para o escadote e eu agarrei-o com as pernas. Resultado? Penetrou-me enquanto eu me balançava suspensa na barra e sentia o barrote adele a acelerar. Viemo-nos ao mesmo tempo e depois de recompostos voltámos para a cozinha onde os miúdos tinham deixado tudo espalhado e cheio de migalhas. E se estão a perguntar-se se já trbalhei no circo, a resposta é não. Mas lá que parecia um trapézio, parecia.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Mereci um doce


O dia hoje não começou nada bem. Uma terrível enxaqueca massacra-me desde as 4 h da manhã. Quando o despertador tocou, apeteceu-me ignorá-lo mas lá me levantei. Também quem é que nunca teve este pensamento, é humano não é? Imaginem o que me tem custado estar hoje rodeada de luz, toques de telefones e chatices... Felizmente que esta semana o meu filho está de férias com os avós e portanto tenho tido mais tempo para mim. Sabem como é esta sensação de saudades com um misto de alívio em não ter de fazer jantar e tantas outras coisas. As mães são assim. O pior é que o meu marido está fora há dois dias a tratar de negócios relacionados com a nossa empresa, ou seja o tal tempo para mim, que incluiria uma boas posições do kamasutra, não está a acontecer. Lembram-se do que vos falei ontem sobre os dedos? Pois é, ontem lá tive que meter a mão na massa.

Já depois do almoço e com a ressaca da enxaqueca, comecei a pensar que hoje mereço um doce e só me ocorreu a terminologia da filha da mãe da dor: QUECA. Claro, para relaxar e até perder calorias. Quando a minha secretária bateu à porta e entrou quase que me apanhou a salivar da excitação. Agora só para quem acredita naqueles momentos que parecem coisa do destino. Ela vinha anunciar-me a chegada de um vendedor com quem eu tinha uma reunião agendada.
Meninas imaginem só: um tipo moreno com um fato super fashion e com quem já tive vários sonhos molhados. A boca carnuda entontece-me enquanto fala e só me imagino a passar-lhe a língua pelos lábios. Estão a ver a cena, eu a apertar-lhe a mão, cheia de etiqueta e cordialidade e o meu interior a gritar salta-me para cima! Come-me toda aqui e já! Não sei o que é que me passou pela cabeça (da enxaqueca nem sinal) e quando ele se sentou na cadeira saí de trás da secretária, arregacei a saia e escranchei-me em cima dele. Não é que o gajo também queria o mesmo que eu? Arrancou-me a blusa e abocanhou-me os bicos das mamas já inchados de excitação. Não resisti e afastei a mini tanga para o lado para lhe deixar a vénus aberta. O que é que vocês teriam feito? A tusa dele estava ao rubro e eu, macaca velha que já tinha visto que ele calçava para o grande, lembrei-me, digam comigo: homens com pés grandes, têm o pénis pequeno... Qual quê? Quando lho tirei pela braguilha enchi a mão, os olhos e sentei-me sobre ele em movimentos circulares pois receei enfiá-lo de uma só vez. Agora imaginem a cena: o telefone a tocar e eu a gemer de prazer sem saber como proibir a secretária de passar chamadas e sobretudo de entrar na sala. Estiquei-me, atendi e disse-lhe neste momento estou ocupaaadda enquanto me saiu um força, força e desliguei. Quanto ao resto não se preocupem vou ter de remarcar a reunião.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Tesão na ponta do dedo...


Tenho de partilhar convosco que sou uma nova mulher. Depois do que escrevi ontem, em vez de sentir que tinha pisado o risco fui invadida por uma sensação de liberdade. Afinal sou adulta e sou das que afirmam que as mulheres gostam tanto ou mais de sexo do que os homens. Não concordam? Espero bem que sim, pois os gajos, conhecidos por pensarem mais com a cabeça de baixo do que com a outra esquecem-se que nós também temos uma “pussy” que sente tesão. Pelo menos a minha manifesta-se e as vossas? Mas a verdade é que quando a nossa pede festa, ajoelhamos e “rezamos” pela entrada do amigo cabeçudo com pele de pêssego. É ou não é? Fechem os olhos por uns minutos e imaginem-se bem lubrificadas a arfar por uma valente investida... Delicioso, não? Para as carentes de sexo que nem se lembram da última queca que deram, minhas amigas façam como eu quando sou atacada por uma fome voraz de homem: usem os dedos ou o que quiserem, mas tenham pelo menos três orgasmos
semanais. Miau...

terça-feira, setembro 05, 2006

De volta à realidade


Regressei de férias e escolhi este dia como podia ter sido qualquer outro para
iniciar este diário. Levantei-me como é hábito às sete da manhã, bastante bem
disposta para quem se deitou tarde, presa à leitura de um best seller de um
autor estrangeiro que está muito na moda. Para mim, enfrentar mais um dia de
trabalho como fazem a maioria das pessoas é sempre precedido de alguns
exercícios de relaxamento muscular e de um revigorante duche. Engulo à pressa
um iogurte líquido e tomo um café antes de me fazer à estrada.
Durante o lento trajecto a que o excesso de trânsito me obriga fui mentalmente
conduzida pelo tracejado da via enquanto, pela cabeça, me passou uma
lembrança que me excitou e me invadiu de calor.

Já não estava na estrada a caminho do trabalho mas sim num tropical jardim
brasileiro, à noite, apenas iluminado por alguns rústicos candeeiros. Num
canto um grupo tradicional marcava o ritmo. Agarrado a mim, um fabuloso
mulato colava-se literalmente ao meu corpo enquanto me conduzia num sensual e
intimista forró pé de serra. Entre voltas e reviravoltas e depois de duas
caipirinhas só conseguia concentrar-me na ligeira e sábia pressão que a perna
dele fazia sobre a minha púbis. Excitada, apertei-o ainda mais e ele
respondeu-me com uma erecção que me fascinou. Sem pararmos de dançar,
olhámos-nos olhos nos olhos e ele percebeu que eu estava a senti-lo. Anuí não
só com o olhar mas beijei-o na orelha, profundamente. O calor da minha língua
fez com que ele soltasse um gemido enquanto me sussurrou que não aguentava
muito mais. Numa fricção gostosa e dolorosa de tanto prazer a dança assumiu
contornos quase tribais e subitamente senti uma humidade quente que me
apaziguou...
Uma estúpida buzinadela, trouxe-me à realidade. A fila tinha avançado e um
apressadinho queria meter a primeira.